Saúde cerebral

Esquecimentos: o que é normal do dia a dia e o que pode ser sinal de alerta

Por Dra. Raquel Monteiro · CRM-SP 278071 · · 6 min de leitura

Nem todo esquecimento é motivo de preocupação. Entenda a diferença entre lapsos normais de memória e sinais que merecem avaliação médica.

Esquecer onde deixou as chaves não é a mesma coisa que esquecer para que servem as chaves. Essa distinção, simples na teoria, é justamente o que separa esquecimentos normais do dia a dia de sinais que merecem avaliação médica — e é uma das dúvidas que mais geram ansiedade em consulta.

O que costuma ser normal

Esquecer nomes ocasionalmente, entrar em um cômodo e não lembrar por que foi até lá, ou demorar um pouco mais para lembrar de uma palavra são situações extremamente comuns — e tendem a acontecer mais com a idade, o cansaço e o excesso de informação do dia a dia. O ponto-chave é que, na maioria das vezes, a pessoa percebe o esquecimento e ele não compromete a rotina.

Sinais que merecem atenção

• Esquecer eventos recentes importantes repetidamente, não apenas detalhes pontuais

• Repetir as mesmas perguntas ou histórias em um curto espaço de tempo

• Dificuldade para seguir uma sequência de passos em tarefas familiares (uma receita, o caminho de casa)

• Mudanças perceptíveis de humor, iniciativa ou julgamento, notadas por quem convive com a pessoa

• Dificuldade crescente para encontrar palavras simples no dia a dia

Um ponto importante: muitas vezes é a família ou pessoas próximas que notam esses sinais antes da própria pessoa — o que, por si só, já é um dado clínico relevante.

Causas tratáveis que imitam declínio cognitivo

Nem todo esquecimento mais significativo é sinal de uma doença neurodegenerativa. Alterações da tireoide, deficiência de vitamina B12, apneia do sono não tratada, depressão e certos medicamentos podem causar um quadro de "esquecimento" que melhora completamente quando a causa de base é tratada. É por isso que a investigação começa sempre descartando essas causas antes de qualquer conclusão mais preocupante.

Por que avaliar cedo faz diferença

Quando há de fato um processo de declínio cognitivo em curso, identificar cedo permite iniciar intervenções que podem desacelerar a progressão, ajustar o ambiente e a rotina, e planejar o cuidado com mais tempo e menos crise. Adiar a avaliação por medo do diagnóstico tende a reduzir justamente a janela em que mais se pode fazer.

Continue lendo

Ver todos os artigos de saúde