Prevenção de AVC: os fatores de risco que estão sob o seu controle
Por Dra. Raquel Monteiro · CRM-SP 278071 · · 6 min de leitura
A maioria dos fatores de risco para AVC é modificável. Conheça os principais e os sinais de alerta que exigem atenção imediata.
Um dado que costuma surpreender em consulta: a maior parte dos fatores de risco para AVC está sob controle direto do paciente e do médico — não é uma questão de sorte ou destino genético isolado.
Os fatores de risco modificáveis mais importantes
• Pressão arterial: é, isoladamente, o fator de risco modificável mais importante para AVC. Manter a pressão controlada reduz drasticamente o risco.
• Fibrilação atrial não diagnosticada: essa arritmia cardíaca aumenta significativamente o risco de AVC e, muitas vezes, não causa sintomas óbvios — é outra razão para check-ups regulares.
• Colesterol elevado: contribui para a formação de placas nos vasos que irrigam o cérebro.
• Diabetes não controlado: acelera o dano vascular ao longo do tempo.
• Tabagismo: um dos fatores de risco mais impactantes — e um dos que mais rapidamente reduz o risco quando eliminado.
• Sedentarismo e obesidade: atuam tanto diretamente quanto por meio de outros fatores de risco associados.
Reconhecendo um AVC em andamento
O reconhecimento rápido dos sinais é determinante para o desfecho. Um jeito simples de lembrar os sinais principais:
• Rosto: um lado da boca caído ao sorrir
• Braços: fraqueza ao tentar levantar os dois braços
• Fala: dificuldade para falar ou fala arrastada
• Tempo: ao notar qualquer um desses sinais, o tempo é crítico — procure emergência imediatamente
Cada minuto sem tratamento em um AVC isquêmico representa perda de tecido cerebral — por isso a orientação é sempre buscar atendimento de emergência imediatamente diante desses sinais, mesmo que sejam breves ou pareçam melhorar.
O papel do acompanhamento contínuo
Boa parte da prevenção de AVC não acontece na emergência — acontece anos antes, em consultas de rotina que identificam e tratam pressão alta, colesterol, diabetes e arritmias antes que causem um evento agudo. É por isso que o acompanhamento clínico contínuo é, na prática, uma das ferramentas mais eficazes de prevenção de AVC que existem.