Cefaleia e tontura · Investigação clínica

Quando a dor de cabeça vem com tontura, a resposta não é mais analgésico

Dor de cabeça acompanhada de tontura, vertigem ou desequilíbrio tem várias causas possíveis — e cada uma pede um tratamento diferente. O primeiro passo é caracterizar bem os episódios e separar as possibilidades.

Caracterização dos episódios · investigação com critério · plano de tratamento por escrito

Dra. Raquel Monteiro, médica clínica geral na avaliação de cefaleia e tontura

Soa familiar?

Dois sintomas, duas consultas diferentes e nenhuma explicação

A dor de cabeça é tratada num lugar. A tontura, em outro. Você sai com analgésico de um lado, um remédio para labirintite do outro, e ninguém pergunta se os dois sintomas aparecem no mesmo episódio — o que é justamente a informação mais reveladora.

Enquanto isso, a investigação para em “deve ser estresse” ou num exame de imagem normal, que descarta o que é grave mas não explica o que você sente. O quadro segue sem nome e sem plano.

Boa parte desses casos tem explicação identificável: migrânea vestibular, queda de pressão ao levantar, anemia, alteração de tireoide, apneia do sono, uso excessivo de analgésicos ou efeito de medicamentos em uso. Chegar até ela depende de caracterizar os episódios com cuidado.

Dor de cabeça e tontura que aparecem no mesmo episódio

Sensação de girar, instabilidade ou desequilíbrio ao andar

Tontura ao levantar rápido da cama ou da cadeira

Sensibilidade à luz, ao som ou ao movimento durante as crises

Uso frequente de analgésicos, com dor que sempre volta

Náusea, visão embaçada ou zumbido junto com a dor

Como isso pode pesar na vida

Origem vestibular ou migranosa

Migrânea vestibular, vertigem posicional e alterações do labirinto produzem sintomas parecidos, mas o tratamento de cada uma é distinto — inclusive medidas que funcionam em uma e são inúteis na outra.

Origem cardiovascular ou metabólica

Queda de pressão ao levantar, anemia, alterações de tireoide, glicemia instável, desidratação e efeitos de medicamentos são causas frequentes, identificáveis com avaliação clínica e exames dirigidos.

Sono, medicamentos e rotina

Apneia do sono, privação de sono, excesso de cafeína e uso repetido de analgésicos sustentam o ciclo de dor e tontura, e frequentemente são a peça que ninguém revisou.

Sinais de alerta exigem atendimento imediato: dor súbita e explosiva, perda de força, fala arrastada, alteração visual, febre com rigidez de nuca, confusão ou desmaio. Nesses casos, procure o pronto-socorro ou ligue 192.

Como funciona

Como a investigação é conduzida

Etapa 1

Caracterizar os episódios

Como começa, quanto dura, o que vem antes, o que alivia, se tontura e dor coincidem, quais medicamentos você usa e com que frequência. É aqui que a maior parte do diagnóstico se define.

Etapa 2

Investigar com critério

Exames dirigidos às hipóteses levantadas — laboratoriais, medida de pressão em diferentes posições e, quando há indicação clara, imagem ou avaliação vestibular e auditiva.

Etapa 3

Tratar e acompanhar

Plano de tratamento das crises e, quando indicado, de prevenção, com ajustes de sono, rotina e medicações. A resposta é revisada em retornos programados.

Investigação com base em ciência de cefaleia

Formada em Medicina pelo Hospital Israelita Albert Einstein, a Dra. Raquel é autora de uma revisão sistemática com meta-análise sobre neuromodulação não farmacológica na migrânea crônica, publicada na Cephalalgia, e de trabalhos sobre saúde cerebral no European Journal of Neurology.

  • Hospital Israelita Albert Einstein
  • Pós-graduação em Saúde Mental
  • Formação em Fisiologia do Exercício
  • CRM-SP 278071
  • Publicação na revista Cephalalgia

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre cefaleia e tontura

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Entender o padrão é o que abre caminho para o tratamento certo

Agende uma avaliação para caracterizar seus episódios, separar as causas possíveis e construir um plano de tratamento com acompanhamento.