Neurologia

Dor de cabeça frequente: como diferenciar enxaqueca de cefaleia tensional

Por Dra. Raquel Monteiro · CRM-SP 278071 · · 5 min de leitura

Cefaleia tensional e enxaqueca têm tratamentos diferentes. Aprenda a reconhecer os sinais que distinguem os dois tipos mais comuns de dor de cabeça.

Dor de cabeça frequente é uma das queixas mais comuns em qualquer consultório — e uma das mais mal interpretadas. Nem toda dor de cabeça é enxaqueca, e tratar os dois tipos da mesma forma raramente funciona.

Cefaleia tensional

É o tipo mais comum de dor de cabeça. Costuma ser descrita como uma pressão ou aperto, como uma faixa em volta da cabeça, geralmente dos dois lados, de intensidade leve a moderada. Não costuma piorar com atividade física e raramente vem acompanhada de náusea. Está frequentemente relacionada a tensão muscular no pescoço e ombros, postura, estresse e longos períodos de tela.

Enxaqueca

Tende a ser mais intensa, geralmente de um lado só, com caráter latejante, e piora com esforço físico, luz ou som. Muitas vezes vem acompanhada de náusea e, em alguns casos, de aura.

Por que essa diferença importa

O tratamento — tanto da crise quanto da prevenção — é diferente para os dois tipos. Tratar uma enxaqueca como se fosse tensional (ou vice-versa) costuma levar a alívio parcial e frustração, além de aumentar o risco de uso excessivo de analgésicos, que por si só pode gerar um terceiro tipo de dor de cabeça: a cefaleia por abuso de medicação.

Sinais que ajudam a diferenciar

• Localização: dos dois lados (tensional) vs. um lado predominante (enxaqueca)

• Caráter: pressão/aperto (tensional) vs. latejante (enxaqueca)

• Piora com atividade física: geralmente não (tensional) vs. sim (enxaqueca)

• Náusea: incomum (tensional) vs. frequente (enxaqueca)

• Frequência: pode ser quase diária (tensional) vs. em crises (enxaqueca)

Quando vale a pena investigar mais a fundo

Mudança no padrão habitual da dor, piora progressiva, início após os 50 anos, ou dor associada a outros sintomas neurológicos são sinais de que vale investigar além do diagnóstico clínico inicial — às vezes com exame de imagem — para descartar outras causas.

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