Neurologia

Enxaqueca: como identificar gatilhos e quando o tratamento precisa mudar

Por Dra. Raquel Monteiro · CRM-SP 278071 · · 6 min de leitura

Enxaqueca tem gatilhos identificáveis e tratamento estruturado. Entenda os sinais, os gatilhos mais comuns e quando buscar uma nova estratégia.

Enxaqueca não é "só uma dor de cabeça forte". É uma condição neurológica com mecanismo próprio, gatilhos identificáveis e, principalmente, tratamento — algo que muita gente que convive com crises há anos ainda não buscou de forma estruturada.

O que diferencia a enxaqueca

A enxaqueca costuma ter características próprias: dor latejante, geralmente de um lado da cabeça, que piora com luz, som ou esforço físico, e que pode vir acompanhada de náusea. Em algumas pessoas, aparece antes dela um sinal de alerta chamado aura — alterações visuais, formigamento ou dificuldade para falar por alguns minutos.

Gatilhos mais comuns

• Privação de sono ou mudanças bruscas no horário de dormir

• Jejum prolongado ou pular refeições

• Estresse — tanto durante quanto no período de "relaxamento" logo depois

• Alterações hormonais, especialmente ao longo do ciclo menstrual

• Certas bebidas (álcool, excesso de cafeína) e alimentos específicos, que variam de pessoa para pessoa

• Mudanças climáticas e de pressão atmosférica

Um diário de crises — anotando data, duração, possíveis gatilhos e o que aliviou — é uma das ferramentas mais úteis para identificar padrões individuais, que costumam ser bem diferentes de pessoa para pessoa.

Quando o tratamento precisa mudar

Se as crises acontecem várias vezes por mês, se o remédio usado por conta própria já não faz efeito como antes, ou se você percebe que está tomando analgésico com frequência cada vez maior, isso é sinal de que a estratégia atual não está funcionando — e, paradoxalmente, o uso excessivo de analgésicos pode piorar o padrão de dor ao longo do tempo.

Sinais que merecem avaliação urgente

Dor de cabeça súbita e muito intensa ("a pior da vida"), acompanhada de febre, rigidez de nuca, alteração de consciência, fraqueza em um lado do corpo ou alteração visual persistente não deve ser tratada em casa — procure atendimento de urgência.

O que uma avaliação bem feita inclui

Entender o padrão das crises, histórico familiar, gatilhos, e descartar outras causas de dor de cabeça faz parte de uma boa consulta. A partir disso, existem estratégias tanto para tratar a crise quanto para reduzir a frequência dela — a enxaqueca crônica não tratada tem impacto real na qualidade de vida, no trabalho e no sono, e não precisa ser encarada como algo para "aprender a conviver".

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