Neurologia

Formigamento e dormência nas mãos e pés: quando pode ser neurológico

Por Dra. Raquel Monteiro · CRM-SP 278071 · · 5 min de leitura

Formigamento ocasional geralmente é benigno. Entenda quando esse sintoma persistente ou recorrente merece uma avaliação neurológica.

Aquela mão que "dorme" depois de dormir em cima dela é diferente de um formigamento que aparece sem motivo aparente e não passa. Saber diferenciar os dois é o que evita tanto a preocupação desnecessária quanto o atraso em buscar ajuda quando realmente é preciso.

O que costuma ser benigno

Formigamento transitório após ficar muito tempo na mesma posição, pressionando um nervo ou vaso sanguíneo, é extremamente comum e desaparece em minutos quando você muda de posição. Esse tipo de sensação, pontual e com causa clara, raramente indica algo preocupante.

Quando o formigamento merece atenção

• Formigamento ou dormência persistente, que não passa em minutos

• Aparece sempre no mesmo padrão — por exemplo, sempre nos mesmos dedos da mão, ou sempre da metade do corpo para baixo

• Vem acompanhado de fraqueza muscular real, não apenas a sensação de "peso"

• Piora progressivamente ao longo de dias ou semanas

• Está associado a dor no pescoço ou nas costas que se irradia para o membro

Causas comuns quando o sintoma é recorrente

Compressão de nervo (como a síndrome do túnel do carpo, muito comum em quem trabalha longas horas no computador), problemas na coluna cervical ou lombar, diabetes não controlado (que pode afetar nervos periféricos) e deficiência de vitamina B12 estão entre as causas mais frequentes de formigamento recorrente.

Sinais de urgência

Formigamento ou dormência que aparece de repente em um lado inteiro do corpo (rosto, braço e perna do mesmo lado), especialmente se acompanhado de dificuldade para falar ou fraqueza, é um sinal de alerta neurológico que exige avaliação de urgência imediata — pode ser sinal de um evento vascular cerebral em curso.

O que uma avaliação investiga

Localização exata, padrão de aparecimento, fatores que pioram ou aliviam, e histórico de condições como diabetes ajudam a direcionar a investigação — que pode incluir exame físico neurológico detalhado e, quando indicado, exames complementares para identificar a causa.

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